Gostar ou não gostar, eis a questão - I
Eu gosto muito, mesmo muito, do meu namorado. Eu gosto de dormir. Eu gosto de coisas que não se podem dizer aqui. Eu não gosto que me acordem aos berros. Eu gosto do meu afilhado. Eu gosto de comer. Eu gosto de lasanha, de bolonhesa, de pizza. Eu não gosto de cenouras, nem de ervilhas, nem de kiwis. Eu, às vezes, gosto de mim, outras, nem por isso. Eu gosto do sorriso dele. Eu gosto da cor do meu cabelo, mas não gosto de perder tempo com ele. Eu gosto do sol, do mar e de sentir a areia molhada nos pés. Eu gosto de sentir o sabor da água salgada nos lábios. Eu gosto de biquínis, mas já gostei mais de me ver de biquíni. Eu não gosto de fatos de banho, mas gosto de triquinis na pessoa certa. Eu gosto do Verão, acho que já se notou. Eu gosto de música. Eu gosto de guitarra. Eu gosto de cantar, já gostei mais de tocar guitarra. Eu gosto quando ele canta ao meu ouvido, apesar de cantar mal. Eu gosto de ouvir rock, de indie, de metal, mas também gosto de baladas com uma boa letra. Eu gosto de ser rebelde, mas também gosto de romance. Eu gosto de namorar com ele. Eu gosto do Salvi et Spe. Eu não gosto quando o grupo se desleixa. Eu gosto de cinema. Eu gosto de ir ao cinema. Eu gosto de ver filmes e gosto de ficar colada neles. Eu não gosto do meu nariz. Às vezes gosto dos meus olhos. Eu gosto quando ele me olha nos olhos. Eu gosto quando o meu afilhado fala comigo e chama por mim, apesar de ainda não falar direito. Eu não gosto que os meus pais sejam injustos. Eu ainda gosto de ver desenhos animados. Eu gosto de ver séries. Eu não gosto da vida perfeita que as novelas mostram. Eu não gosto da fantochada que são os MCA. Eu gosto das minhas cidades, ambas. Eu gosto de passear no fórum com as minhas amigas, mas prefiro ir às compras com o meu namorado. Eu gosto quando a minha prima Joana está cá, mas não gosto de não poder estar sozinha com o Zé. Eu gosto dos meus primos, mesmo que eles sejam uns chatos. Apesar de tudo, eu gosto do meu irmão. Gosto de jogar à bola e de jogar volei. Eu gosto de ir para a piscina e gosto de fazer o pino na água porque é o único sítio onde o consigo fazer. Eu, às vezes, gostava de ainda ser criança. Eu gosto de peixe, e de carne, mas não gosto muito de legumes. Eu gosto de manga e gostava que ele gostasse de manga. Eu gosto de sumos de fruta naturais. Eu gosto de vodka. Eu não gosto de cerveja, mas até bebo. Eu gosto de roupa e de comentar a roupa dos outros. Eu gosto de fotografia, de fotografar e às vezes de ser fotografada. Eu gostava de fazer uma sessão fotográfica. Eu gostava de ganhar algum dinheiro com a música. Eu gostava de acabar o curso e ter emprego garantido. Eu gosto de pensar que o Zé vai passar no exame e, como é óbvio, não gosto de pensar o contrário. Não gosto de birras, mas gosto de fazer beicinho. Eu não gosto de ver as pessoas tristes e gosto de as animar. Não gosto de ter sinusite nem rinite alérgica. Eu gosto quando me dão razão, mas não gosto quando são complacentes. Eu gosto de boa educação. Gosto quando estou com ele. Normalmente, gosto dos ensaios do grupo. Não gosto de, neste momento, a minha consciência não estar totalmente limpa. Eu não gosto de saber o que sei. Eu não gosto de mentiras, de omissões, nem de traições. Eu gosto do amor. Eu não gosto que o destruam.
para que alguns reflitam...
"A fidelidade não é uma qualidade, é uma característica, por isso não é fiel quem quer, é fiel quem pode. E quem não pode faz o que pode para não ter remorsos e para que não ser apanhado. (...)
Esta é a génese do amor: dar e dar-se, entregar e entregar-se. Quem não se quer dar ou não se consegue entregar, não ama verdadeiramente o outro. Pode até ter por ele um afecto profundo, alta consideração e estima, mas nada disso é amor. O amor é outra coisa. É querer e querer e querer, todos os dias a todas as horas aquela pessoa. Querê-la por perto e querer que ela seja feliz. E se a queremos por perto e para nós, e se a queremos por perto e para nós como podemos aceitar que troque a nossa companhia por outra ou quem empreste aquele corpo que nos pertence a outro, ainda que em momentos fugazes? O amor, se é inteiro e pleno, não tem margem para infidelidades, a não ser que estas sejam desejadas de parte a parte. (...) Acredito que a infidelidade éuma armadilha; primeiro abraça-nos e depois estrangula-nos. E não há nada melhor para dar cabo de uma relação, ainda que esta se mantenha por muitos e bons anos.(...)"
Margarida Rebelo Pinto
How is possible?
"Quando mentes, tens que cobrir essa mentira com outra mentira o que significa que irás
sempre mentir, até dizeres a verdade."
A minha consciência é limpa e leve. Detesto mentiras, detesto omissões, detesto traições. Neste momento, a minha consciência não está assim tão leve, infelizmente. Mas estou a fazer tudo para mudar isso. Lamento, apenas, que muita gente não sinta peso na consciência suficiente. Não sentem, mas deviam. Tenho dito.
(Eu sei que este texto não tem sentido nenhum. Enfim, foi só um desabafo.)
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